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11/15/2015 - No Comments!

A Terceira Tormenta

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Salma Jô em "A Militante".

Saio do terceiro set de filmagem neste ano com mais dúvidas do que entrei e com uma ambivalência ainda mais exacerbada em relação a fazer filmes – à sensação prazeirosa do trabalho com os atores e da realização de um projeto de alguns anos mescla-se o rescaldo de terríveis momentos de angústia e sofrimento.

Quanto mais filmo, quanto mais leio, quanto mais assisto filmes, quanto mais estudo, mais misteriosa parece a representação cinematográfica. Há um passe de mágica em algum lugar que torna inútil todo o conhecimento racional. Escrever um roteiro, pisar em um set ou adentrar uma ilha de edição são, para mim, uma constante e cotidiana reafirmação da minha incompetência para fazer filmes.

O que é hoje “A Militante” surgiu há cerca de três anos como um exercício de roteiro e do desejo de dar forma a um melodrama. Era a história da paixão proibida entre uma militante de um movimento clandestino de esquerda durante a ditadura brasileira e um agente infiltrado do SNI nessa célula guerrilheira.

Tratava-se portanto de um roteiro de época, com quase dez locações e uma sequência de tiroteio – algo demasiado complexo para o montante aprovado para realização do filme na Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Goiás.

Entre aprovação e captação, passou, entretanto, um bom tempo, e o projeto acabou encavalado ao do longa que rodei no começo deste ano. Por isso, foi só a partir de março que comecei a retrabalhar o roteiro, junto com Carlos Rabelo e depois também com Jarleo Barbosa, de forma a adequá-lo às possibilidades de produção.

Eis aí pelo menos um primeiro aprendizado nesses 11 anos de cinema: ser realista com os recursos de que se dispõe - mais que isso, usar as limitações a nosso favor, como trampolim criativo. Desapegar-se da forma inicial, confiando plenamente no impulso e nas emoções que levaram a querer contar a história, para reinventá-la. A chance de um filme bom está em aceitarmos e expormos nossas próprias limitações - se possível, colocá-las no centro dele -, e não em tentar escondê-las ou camuflá-las.

Acho que isso vale para todo tipo de limitação: tanto nas condições materiais de produção (grana, restrições técnicas, equipamentos), como de conhecimento, técnico e artístico. Não tentar fazer de conta que não se sabe é honesto. Tentar fazer de conta que se sabe mais do que se sabe é, não apenas pretensioso, como impossível. A ingenuidade e a pretensão estarão estampadas em cada fotograma.

Diante dessas constatações, propus-me manter o “romance proibido” numa situação de guerra como centro da narrativa, mas atendendo às seguintes pré-condições: limitar-me a no máximo duas locações e a uma história que pudesse ser filmada em três diárias.

Num bate-bola ao longo de três meses, eu e Carlos chegamos à história de Mariana e Tomás, metidos num conflito entre dois lados que não chegamos a entender quais são. Ela está escondida em um galpão abandonado depois da prisão de vários de seus companheiros e sua paixão por Tomás é colocada em questão quando surgem evidências de que ele seria um agente inimigo infiltrado.

Salma Jô e eu no set de “A Militante”.

Salma Jô e eu no set de “A Militante”.

Em junho, eu tinha um roteiro que considerava satisfatório, apesar da consciência de que estávamos ainda distantes de uma narrativa plenamente amarrada. O texto era, não obstante, exequível e, desde sempre, interessava-me fazê-lo mais como um exercício de aprendizagem de direção de atores do que na expectativa de terminar com um grande filme.

Aqui entra outro aprendizado precário.

Há apenas uma boia de salvação no mar revolto e tormentoso que é lançar-se a fazer um filme: a natureza do impulso inicial que nos moveu a escrever o roteiro.

As emoções básicas e essenciais que me levaram a escolher essa história e esse filme a qualquer outro possível - e que tornaram este o único filme possível para mim neste momento. Na hora do enfrentamento, quando tudo quase sempre parece perdido e a sensação é a de caminhar no escuro em meio aos destroços de um tsunami, a única referencia segura é essa.

Fiz portanto um esforço pessoal de resgate e depuração desse impulso. Por que, afinal, há três anos, me veio a vontade de escrever esse roteiro?

Bela Carrijo e Rafael Sieg em “Bem pra Lá do Fim do Mundo”.

Bela Carrijo e Rafael Sieg em “Bem pra Lá do Fim do Mundo”.

Pensando e repensando, concluí por três questões.

Primeiro, de maneira meio óbvia, meus próprios conflitos entre ideais e desejo. Como conciliar no mundo real a força destrutiva das paixões aos ideais a que tentamos nos conformar?

Segundo, “A Militante” parece ter nascido também de um encantamento com o drama e com a verdade que esse tipo de representação da vida carrega.

Terceiro, esse mesmo encantamento com o drama tem como causa (ou consequência, não sei bem) uma personalidade e um pensamento extremamente fantasiosos. Sou uma pessoa para quem a fantasia é muitas vezes mais real que a vida – não à toa, nesse sentido, meu texto favorito de Shakespeare é Macbeth, o homem dominado (e morto) pela fantasia.

O drama era então a forma e o gênero da narrativa, o conflito entre desejos e ideais, seu motor; e a fantasia se manifesta sobretudo na paranoia que move e sufoca os três personagens.

Na prática, conforme dito, meu outro norte era o foco na direção de atores. Já que o naufrágio é o destino mais certo de qualquer filme, que pelo menos eu aprendesse algo nesse campo que me fascina por sua centralidade para quem pretende fazer dramaturgia.

Por contingência, conveniência e medo, a maioria dos diretores no Brasil tem pouca ou nenhuma formação para dirigir atores.

Por contingência porque nossa formação, na maioria dos casos, se dá de maneira majoritariamente prática e em ambientes quase sempre de pouco conhecimento acumulado, onde todas as pessoas estão juntas aprendendo na prática.

Isso se enraíza, a meu ver, numa cultura brasileira que pouco valoriza o conhecimento e no ambiente institucional de nossa produção audiovisual, caudatário, de um lado, do papel desproporcional das telenovelas e, de outro, da experiência marcante do cinema novo, que nos deixou obras maravilhosas, mas também criou tabus. Tudo isso, entretanto, é objeto para uma outra discussão.

Testes de figurinos em “Bem pra Lá do Fim do Mundo”.

Testes de figurinos em “Bem pra Lá do Fim do Mundo”.

A conveniência e o medo são também um fator determinante nessa lacuna porque a direção de atores guarda um caráter muito específico e quase absolutamente oposto ao trabalho majoritariamente técnico e racional de supervisionar a fotografia, a arte e o som de um filme.

A natureza emocional, intuitiva e corporal do trabalho com os atores sempre me assustou e ainda me apavora – sobretudo por tornar absolutamente inegável e incontornável o aspecto do risco inerente à empreitada de se fazer um filme, expondo o abismo a que temos que nos lançar como passagem para uma possível experiência estética arrebatadora, como caminho para encontrar a beleza.

Um filme só pode dar certo se nos expomos ao risco. E, por isso, me parece, fazer um filme com honestidade e sem ilusões não tem como não ser uma experiência angustiante.

O filme tem uma força centrífuga terrível. Ele ameaça esfacelar-se a todo instante. Cabe ao diretor, esse Sísifo, numa tarefa inglória, evitar o destroçamento inevitável, recolhendo a cada dia os cacos do filme ainda incompleto e tornando a juntá-los, na esperança vã de que, nessa repetição diária, em algum momento, sobrevenha uma magia que forje a transmutação que fará surgir, do quase caos, algo coerente e resplandecente, algo com sentido.

Vero Gerez e Felipe Brum em "À Distância".

Vero Gerez e Felipe Brum em "À Distância".

Para mim, o maior desafio é não me deixar guiar pelo medo e pela expectativa de resultado. Ambos são, na verdade, faces da mesma moeda. O medo é o temor da crítica, da reprovação, da exposição, do ridículo, da opinião dos pares; a expectativa de resultado, seu inverso: o vaidoso desejo de críticas positivas, aprovação, admiração, aplauso.

Não por acaso, o trabalho dos atores e do diretor se espelham nesse aspecto. Boas atuações dependem de ambiente adequado, boa preparação e sobretudo de uma relação de confiança entre ator e diretor para que os atores possam representar sem julgar seu próprio trabalho e se sentindo livres para arriscar. O ator precisa terceirizar seu superego ao diretor para que ele avalie o trabalho. No momento em que o ator se detém para julgar, a atuação já falhou.

Da mesma maneira, também o diretor, em suas decisões artísticas e criativas, deve idealmente abrir mão de julgamentos sobre os efeitos do filme. É preciso confiar plenamente no impulso do momento e na intuição – para arriscar. O diretor, em sua preparação, precisa esfolar a própria pele, livrando-se de preconceitos, clichês e vaidades, e expondo as pontas de suas terminações nervosas.

Da mesma maneira que os atores têm que trabalhar juntos e focados uns nos outros, o diretor precisa estar sensorialmente concentrado na cena em todos os seus elementos para responder a eles de impulso – luz, cores, texturas, geometria, coreografia, e especialmente os atores em seu aspecto físico: gesto, expressões, pele, movimento, voz.

“Bem pra Lá do Fim do Mundo”, o longa que rodei no início do ano, “À Distância”, filme dirigido por Jarleo Barbosa, corroteirizado por mim e rodado em abril, e “A Militante” são três filmes estruturados ao redor do trabalho com os atores, mas com propostas bastante diferentes entre si.

Em “Bem pra Lá do Fim do Mundo” decidi apostar numa mise-en-scène que privilegiasse o improviso e a liberdade dos atores. O roteiro era a base, mas muitos diálogos não estavam predeterminados, nem tampouco estabelecíamos marcações severas de movimentação. Em várias situações, fizemos improvisações, especialmente na interação do Rafael Sieg e da Bela Carrijo, nossos protagonistas, com personagens reais da Chapada dos Veadeiros, onde filmamos.

“À Distância”, por sua vez, partiu de um roteiro para em seguida abandoná-lo e tornar-se um filme-processo, aberto às situações que surgissem na preparação do elenco e na própria filmagem e explorando sobretudo as fronteiras entre ator e personagem. Os atores Vero Gerez e Felipe Brum foram, nesse sentido, tão criadores do filme quanto Jarleo, eu e Benedito Ferreira (que também representou muito mais que um diretor de arte).

Por fim, na intenção de explorar por outro ângulo esse delicado balanço entre liberdade e restrição no trabalho com os atores, “A Militante” partiu de um roteiro fechado com diálogos predeterminados e marcações bem mais claras de encenação para as atuações de Salma Jô, Clégis de Assis e Rui Bordalo.

Os três filmes contaram com a parceria inestimável e generosa de Fred Foroni, preparador de elenco que, por vários anos, trabalhou com Fátima Toledo. A base emocional criada por meio das técnicas do Fred foi sem dúvida essencial para os bons resultados obtidos nos três processos.

Cada uma das três abordagens evidentemente imprimiu resultados muito diferentes na tela – verdades distintas.

Minha principal conclusão – talvez meio boba por sua obviedade – é a de que a liberdade na cena pode ser uma noção enganosa e ilusória.

Não foi exatamente a suposta liberdade dada ao Rafael e à Bela que rendeu os momentos comoventes de “Bem pra Lá do Fim do Mundo”. Suas grandes atuações são fruto de toda a preparação e da relação que construímos, pois elas direcionaram o foco dos dois e lhes permitiram acessar as emoções certas.

Foi na verdade ao reduzirmos sua liberdade de movimento que se abriu o campo emocional onde puderam ser livres para viver os personagens. Da mesma forma que os limites são o trampolim criativo do roteirista, também os atores precisam de balizas para poderem mergulhar de forma mais profunda nas emoções que embasam os personagens.

Num nível, como ressalta Judith Weston, deve haver liberdade total para o ator. A linguagem da direção tem que ser sempre a da permissão. O ator deve se sentir livre para seguir seus impulsos e arriscar. Nesse sentido, é preciso poder tudo.

Por outro lado, não nos iludamos, esse campo do possível é sempre direcionado por todo o trabalho prévio de construção da narrativa e dos personagens, que delimita, em larga medida, as possibilidades de criação e de risco a cada momento. O que se busca é liberdade dentro de um campo demarcado.

É desse encontro entre campo criativo delimitado e permissão absoluta para o risco que surge a fagulha da invenção. A liberdade em campo aberto significa apenas o caos.

Uma segunda percepção derivada do processo de “A Militante”, e que me parece importante, diz respeito à atuação no campo específico do drama.

Felipe Brum e Vero Gerez em “À Distância”.

Felipe Brum e Vero Gerez em “À Distância”.

Olhando agora, alguns dias depois, para nossos quatro dias de filmagem, devo dizer que não entendia plenamente o roteiro que tinha no papel. Não compreendia a intensidade de sua carga dramática e sua consequente demanda sobre os atores e de mim mesmo na direção.

Apesar do diálogo com convenções de gênero – do suspense e do thriller policial -, as âncoras emocionais do filme empurravam seu centro narrativo para o drama, exigindo interpretações muito intensas e emocionalmente carregadas. Nessa direção, caminhou portanto o trabalho de preparação do elenco.

Eu realmente não mensurava a demanda de energia e a carga emocional impostas pelas filmagens. Somando-se preparação e gravação foram nove dias de mergulho permanente em emoções muito negativas - abandono, raiva, mágoa, traição, paranoia - e num universo de muita violência física e sentimental.

Foi absolutamente exaustivo - mais ainda, um set com frequência carregado de tensão e emoções pesadas. Não se deve banalizar isso. É preciso buscar ferramentas para lidar com esse tipo de situação.

O resultado foi recompensador, mas cobrou um alto preço físico e emocional de nós quatro. No fim, salvamo-nos todos, mas esticar demais a corda nesse aspecto pode acabar por prejudicar as atuações, o trabalho de direção e o filme como um todo.

Enfim, engatinho ainda na direção de filmes e, mais especificamente, na direção de atores. As duas tarefas, entretanto, me parecem envolver um esforço de natureza paradoxal.

É hipócrita dizer que o impulso de fazer filmes não seja, em larga medida, uma empreitada do ego. Importamo-nos sim com críticas favoráveis, aplausos e prêmios. Deixar, entretanto, que o processo se guie por seus resultados, isto é, pelo efeito que o filme pode ter no outro, é um naufrágio certo porque fecha a porta do impulso e do risco e instaura uma direção medrosa e conservadora.

A conflituosa tarefa da vida de um diretor parece ser essa: não se deixar guiar pela vaidade, que é sempre medrosa, e aprender a extrair seu prazer cotidiano do risco. Talvez seja esse o esforço de vida de todo ser humano, na verdade.

É isso. Apenas algumas impressões confusas de quem venceu seu terceiro set como diretor ou cocriador de um filme num mesmo ano e morreu um bocado. Não sei porra nenhuma.

Não poderia concluir sem agradecer a todos os velhos e novos parceiros de cinema que, de alguma maneira, contribuíram para tornar reais esses três filmes: os atores maravilhosos e loucos que cruzaram meu caminho: Bela, Vero, Salma, Rafa, Felipe, Clégis, Ruka; e aos que, junto comigo, atrás das câmeras, foram decisivos: Jarleo, Benedito, Emerson, Lidiana, Ludielma, Larissa, Guerino, Paulo, Fred, Fernando, Kaco, Lino, Chico, Luana, Camila, Danilo, Thiago, Gui, Seu Vavá, Pará, Pepe, Carol, Flávia, Maria, Alexandre, Juliana, Antônio, e tantos outros.

04/21/2011 - No Comments!

Nostalgia, um filme sobre a saudade do sertão

"Agora - digo por mim - o senhor vem, veio tarde. Tempos foram, os costumes demudaram. Quase que, de legítimo leal, pouco sobra, nem não sobra mais nada. Os bandos bons de valentões repartiram seu fim; muito que foi jagunço, por aí pena, pede esmola. Mesmo que os vaqueiros duvidam de vir no comércio vestidos de roupa inteira de couro, acham que traje de gibão é feio e capiau. E até o gado no grameal vai minguando menos bravo, mais educado: casteado de zebu, desvém com o resto de curraleiro e de crioulo."

Assim, Riobaldo se dirige a seu interlocutor nas primeiras páginas do "Grande Sertão: Veredas", lamentando as mudanças que os tempos trouxeram ao sertão.

Há cinco anos atrás, quando gravávamos o "Quando a Ecologia Chegou", em seu rancho ao pé da Serra da Baleia, entre Alto Paraíso de Goiás e o povoado de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros, seu Waldomiro expressava sua saudade da vida de vaqueiro naqueles sertões:

“Anteriormente, a vida era maravilhosa porque nós tinha três palavras na nossa vida muito importante pra todos nós: amor, receio e respeito, que era usada antigamente e hoje é poucos que tão usando. Isso tá acabando, tá em poucas mãos. A vida de ontem é incomparável com a de hoje, segundo a minha idade de 62 anos.”

Antonio Candido, no seminal "Os Parceiros do Rio Bonito" identifica nessa nostalgia o fenômeno que denominou "saudosismo transfigurador", uma expressão da perda de um modo de vida tradicional inapelavelmente extinto pela chegada, ao mundo do sertanejo, da modernidade, com suas relações mediadas pelo dinheiro e por uma racionalidade instrumental.

Do desejo de falar desse "saudosismo transfigurador", com o qual de algum maneira mesmo nós - cidadãos urbanos, modernos, cosmopolitas - nos identificamos, surgiu o roteiro de "Nostalgia", um documentário poético em curta-metragem. Tendo o discurso de Waldomiro como pano de fundo e linha condutora, o filme tenta tornar presente o vazio, buscando a aragem de um mundo e um tempo que não existem mais - de amplos horizontes, de um correr da vida lento e indefinido, de uma outra relação entre o ser humano e o mundo natural.

"Nostalgia" será rodado entre os dias 2 e 5 de maio próximo, em Alto Paraíso de Goiás.

FICHA TÉCNICA:

NOSTALGIA
Duração estimada: 8 minutos
Direção e Roteiro: Pedro Novaes
Direção de Fotografia: Naji Sidki
Direção de Arte: Úrsula Ramos
Som direto e edição de som: Thais Oliveira
Edição de imagens: Pedro Novaes
Produção Executiva: Antonio Guerino e Paulo Paiva
Produção: Paulo Paiva e Pedro Guimarães

03/25/2011 - No Comments!

Produção Independente de Verdade

[vimeo 20676893 w=400 h=300]

Julie, Agosto, Setembro - Teaser from Pedro Novaes on Vimeo.

Em todos os lugares, no Brasil e fora, onde houve uma renovação importante da produção de cinema, com filmes que chamaram a atenção da mídia e do público, quase sempre existia uma escola de cinema que, de alguma forma, propiciava o ambiente para que grupos de aspirantes a cineastas e cineastas já experientes interagissem. Dessa mistura, alimentada por debates acadêmicos, pela discussão de filmes e por aprendizado técnico, é que começaram a aparecer filmes novos e de frescor inusitado em lugares como Recife, Porto Alegre e Buenos Aires.

Não sabemos se algo que chame a atenção do país em termos de cinema surgirá aqui em Goiás em algum momento no futuro próximo. Mas o fato é que a mera existência de um curso superior de graduação em Audiovisual, na Universidade Estadual de Goiás, com todos os seus problemas de estrutura, já começa a mudar a cara do que se faz por aqui - sem demérito dos demais realizadores que, de várias maneiras, têm interagido com os alunos daquela instituição e contribuído para o caldo que devagar se forma ali.

A primeira turma se graduou no ano passado e vários talentos já começam a despontar. Alguns deles se juntaram para a realização do curta "Julie, Agosto, Setembro", que tive o prazer de editar e que será lançado no dia 14 de março, às 20 horas, no Cine Cultura.

O filme foi produzido absolutamente sem recursos, a partir da colaboração voluntária de toda a equipe e dos esforços da Panaceia Filmes e da Tá na Lata Filmes.

Com roteiro e direção de Jarleo Barbosa, direção de arte de Benedito Ferreira e fotografado por Emerson Maia com uma Canon 5D, o curta, com cerca de oito minutos de duração, conta a história da adaptação de uma jovem suíça a Goiânia.

O resultado ficou muito bom.

JULIE, AGOSTO, SETEMBRO
Roteiro e Direção: Jarleo Barbosa
Direção de Arte: Benedito Ferreira
Direção de Fotografia: Emerson Maia
Produção: Larissa Fernandes
Edição: Pedro Novaes
Edição de Som: Thais Oliveira
Trilha Sonora: Victor L. Pontes
Música Tema: Folk Heart