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05/11/2012 - No Comments!

Paraísos Artificiais: exemplo para o cinema brasileiro

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Com "Paraísos Artificiais", a Zazen e seus sócios Marcos Prado e José Padilha dão mais uma mostra de sua versatilidade e competência cinematográfica e comercial.

Longa de estreia na ficção do diretor do premiado "Estamira", "Paraísos..." é um ótimo filme, com uma trama sólida, que tem tudo pra dialogar com um público amplo. Longe do que se tem sugerido, sobretudo em cima do título, escolhido evidentemente por critérios comerciais, não se trata de um filme superficial que surfa na onda das drogas associadas às festas de música eletrônica. Ao contrário, o tratamento dado ao tema é complexo e instigante, suscitando, como todo bom filme, um bom debate sobre o comportamento da juventude contemporânea, sobre o lugar das drogas em nosso imaginário e na sociedade e sobre a família.

"Paraísos..." evidentemente não discursa sobre tais questões. É a narrativa quem naturalmente suscita o debate para quem assiste. A trama gira simplesmente em torno do relacionamento de Nando (Luca Bianchi), Érica (Nathalia Dill) e Lara (Lívia de Bueno), em três momentos diferentes: oito anos antes, numa rave no litoral do Nordeste, quatro anos antes, em Amsterdam, e no presente, no Rio de Janeiro. As drogas obviamente são um dos componentes principais nos rumos que as vidas dos três tomarão.

Contrariando também certa tendência de nosso cinema, mas confirmando o talento dos sócios da Zazen como escritores, "Paraísos.." é um ótimo filme sobretudo porque se embasa num roteiro sólido, bem trabalhado e que, por isso, surpreende.

"Paraísos.." tem tudo pra desagradar à intelectualidade esquerdista, que vai achá-lo conservador, e também à classe média conservadora, que vai achá-lo liberal e chocante. Mais uma sólida evidência de um bom filme.

Por seu apelo junto ao público, estratégia comercial, mas sobretudo por ser uma ótima narrativa, "Paraísos Artificiais" é um exemplo para nos mirarmos.

08/11/2011 - No Comments!

O Sub Sam Mendes de Jodie Foster

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Vou te contar uma história: um homem de meia idade tem depressão que se agrava há algum tempo; pai de dois filhos, casado com uma bem sucedida engenheira de montanhas russas, mas incapaz de superar sua doença, ele acaba chutado de casa pela mulher. Após uma patética tentativa frustrada de suicídio, esse homem estabelece uma estranha relação com um fantoche de castor, que ele passa a vestir todo o tempo, que o aconselha e acaba por tirá-lo da depressão. A família a princípio fica feliz com a súbita mudança do pai; o filho pequeno sobretudo desenvolve grande estima pelo castor; sua esposa entretanto, com o passar dos dias, passa a sentir aversão pelo fantoche, que está sempre junto com os dois, mesmo nos momentos mais íntimos.

É um argumento interessante, não? Se eu fosse um produtor executivo e um roteirista me apresentasse a ideia acima, eu diria "Isso soa interessante. Siga em frente. Desenvolva".
Mas entre um bom argumento e um filme na tela há um roteirista e um diretor.

Por ser diretor, acho que acabo sendo generoso na análise de filmes. Busco sempre entender os motivos que levaram os realizadores a essas ou aquelas escolhas e tendo a ser benevolente e perdoar equívocos por entender que a linguagem cinematográfica é traiçoeira e por crer que aos poucos vamos aprendendo com nosso erros.

Em função disso, quando vejo um filme como "Novo Despertar" (não vamos nem discutir esse título brasileiro para o original "The Beaver"), cujo argumento é o do primeiro parágrafo desse texto, minha sensação é de paralisia. Fico sem saber o que pensar e gaguejo porque não sei o que dizer.
Como é possível algo tão equivocado e cheio de decisões erradas, um filme tão ruim a partir de um ponto de partida que poderia ser interessante? Read more